A Farmácia do lado

-"Boa Tarde, posso fotografar o chão?

farmacia-entrada

- Boa tarde. Pode! Esteja à vontade que daqui a uns tempos, com as obras...

farmacia-interior

(e enquanto arregalo os olhos e faço gluc, ao perceber que o chão vai à vida, e click com a máquina)

farmacia-interior1

- Então?
- Então a menina já viu isto? Está todo estragado, preciso de fazer obras

...
blábláblá
...
modernizar
...
blábláblá

farmacia-interior2

E lá dentro mais este padrão.

Resumindo, mais um que não vai resistir aos tempos.

12 comentários:

  1. Margarida, NÃO DEIXES!! Explica aos donos, faz qualquer coisa! E dá-lhes, por favor, o contacto do Sr. Lúcio Zagalo, para se for preciso de facto substituir algum pedaço desse chão maravilhoso.

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  2. Nunca tinha valorizado o mosaico hidraulico até ler os vossos blogues. Mas também nunca me passaria pela cabeça destruir assim um pedaço de história.

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  3. Raridades...

    Muitas vezes as pessoas não se apercebem da riqueza que têm entre mãos, mas em muitos casos é natural. Uma certa veia burguesa e urbana permite-nos, por exemplo, apreciar o campo e os que lá viveram toda a vida odiarem-no. Todos os anos assisto a isso na aldeia dos meus avós.
    A aldeia, antes toda de xisto, tem já há alguns anos casas cimentadas. E porquê? porque os habitantes, habituados à pobreza desde pequenos, viram em cimentar um sinal de prosperidade e modernização. Agora, fazem-se aldeias de xisto de raiz! Há um sentido de gosto que só é possível porque superámos os "traumas".

    É claro que preferia que a casa dos meus avós ainda fosse de xisto e que essa farmácia mantivesse o seu belíssimo chão, até porque seriam infinitamente mais ricos, mas a verdade é que sei de onde vem essa tentativa de "aperfeiçoamento" e "modernização".

    Acho que as pastelarias que temos em portugal são um sintoma disso mesmo. Temos o trauma do pobrezinho e poucas vezes sabemos valorizar a dimensão do que temos.

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  4. ... mas está tudo tão impecável! Seria mesmo uma pena...

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  5. Joana Hartmann14:17

    Tão lindo...
    Acho que no teu lugar oferecia-me para ficar com o chão!... Não sei bem para onde por - umas obrinhas de "desmodernização" em casa, por exemplo, numa parte do piso ou numa parede ;)
    E aquelas letras davam um óptima "pixel font"!
    É como a Ana diz - o impulso humano de evolução e perfeição acaba por empurrar as pessoas a fazerem coisas que não são assim tão unanimemente "perfeitas"...

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  6. Susana Carvalho21:40

    Realmente é uma pena e custa acreditar que alguém retire mosaico hidráulico para colocar tijoleira... mas acontece. E acontecem outras coisas que tais (e ainda pior!) como bem referiu a Ana.

    Adorei o pedaço branco e vermelho, gostava de o ter na minha cozinha; combinava com a chaminé holandesa debruada a mosaico hidráulico! A minha banca em tempos terá também sido em mosaico hidráulico (o meu chuveiro ainda é), mas nos anos 70 alguém se lembrou de 'renovar' a cozinha e destruiu muito do seu encanto -- e nem por isso a tornou mais funcional, o que é ainda mais irritante.

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  7. Anónimo00:11

    Para obras de remodelação sem danificar pavimentos dessa qualidade contacte já: LINHABRANCA, ao seu dispor!


    *Orçamentos grátes!

    --------------------------------
    aqui fica o contacto para os mais revivalistas e fãs dos mosaicos hidraúlicos: www.mosaicdelsur.com representado em Portugal pela Studiofirma (Cascais)

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  8. tiagompires09:04

    No meio de uma pesquisa, sobre já não sei o quê acabei por passar por aqui. Como concordo, e entre outros, para além de tentar quando os vejo registar também eu estas coisas do passado, mas também porque faz parte da minha profissão deixo-te duas empresas nacionais, que ainda hoje (e esperemos que por muitos anos) produzem não só mosaico hidráulico em variadissimas colecções, cores e feitios, como também reproduzem outras para estes casos:

    www.cerbran.com
    e
    www.azulima.pt

    e para além do mosaico hidráulico, fazem-me falta todos os outros acabamentos, como o calimero e o bugs bunny na calçada da avenida de Roma, ou o soalho da avó em tábuas de dois centimetros de espessura feito de àrvores que hoje já não existem e que quando alguém faz obras desperdiça avidamente um produto que demorou 50 anos a formar-se e tem outros 50 de patine em cima.
    Tudo para cobrir com cerâmica que imita pedra, ou plástico que imita madeira...é flutuante...põe-nos nas nuvens com certeza..

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  9. Ai, Margarida, que dor...
    Já chorei muito por ver coisas antigas e lindas serem demolidas, em troca de modernidades burras. Já conversei com os proprietários (um dos últimos foi o de uma farmácia com aquelas lindas prateleiras de madeira, que logo depois destruiu tudo e "modernizou-a"), e, infelizmente, até hoje, não consegui convencer ninguem.
    Na minha cidade, que é pequena e jovem (só tem 80 anos), existem poucas casas antigas, e estou fotografando o que posso, para, pelo menos, ter um registro do que havia.
    Tambem fui contaminada pelas idéias suas e da Rosa, e estou procurando essas belezas antigas por aqui para por no blog que fiz da minha cidade.
    Mas vamos continuar lutando. Desistir, nunca !

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  10. Obrigado pelos links que deixaram. Vou tentar salvar o dito chão. Se não conseguir aquele, pelo menos os muitos que já fotografei pelo bairro.

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  11. será uma tristeza deixar o chao desaparecer!!!

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  12. Fátima Ribeiro19:58

    Onde é que é a farmácia? Se estiver em zona de protecção (50 metros de algum imóvel classificado), o proprietário não poderá fazer as obras sem a aprovação do IGESPAR (antigo IPPAR) - com um chão destes vale a pena investigar e mesmo alertar o proprietário (pode ser que o iniba ;-P)

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